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ARTIGO: Decisão eleitoral

Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira, Jornalista, professor universitário

Aqui vai uma praga, no melhor sentido: Tomara que a juventude faça a diferença nas eleições municipais deste domingo. Ela, a jovem de idade, e a juventude da experiência vivida. Porque há “jovens” de 70 anos e “velhos” de 20, que sejam decisivos aqueles de poucos anos vividos, mas com discernimento, e os experientes na trajetória.

Os jovens discernidos, na faixa dos 20 (ou menos) aos 40 anos, e os experientes de muitos anos (dos 40 pra diante), fizeram o surgimento de mudanças a partir de movimentos como as Diretas Já (1983/84), os dois impeachments presidenciais e as manifestações de junho de 2013. São esses que podem fazer a diferença nesta eleição. Como disse Leonel Brizola: “Tomem o destino de vocês nas mãos próprias de vocês”. Depois de alertar para que os jovens “não esperem muito dos políticos”, completou: “É dos jovens que surgem os grandes momentos transformadores”.

É de momento transformador que estamos necessitando nos municípios, porque ultimamente são poucos prefeitos e vereadores que efetivamente provocam transformações. Temos visto muitos arranjos continuístas, a mesmice, as velhas ideias, a falta de criatividade. Como a democracia é o menos pior entre todos os regimes, o melhor meio de mudar é na eleição.

MAIS PRÓXIMAS – Não se pode esquecer que as autoridades que estão mais próximas são exatamente o prefeito e os vereadores. Desdenhar deles, em favor da esperança em deputados, senadores, no governador ou no presidente da República é esperar daqueles que estão mais longe, e nem sempre chegam pra perto. Por isso, a eleição municipal precisa ser encarada por todos com o mesmo conceito com que, normalmente, se encara a amplitude dos pleitos nacionais.

O prefeito, além de ser o chefe do Executivo, precisa liderar o município, sempre aceitando os contrários, enquanto os vereadores não podem fazer do Legislativo uma casa de acomodação. Desta forma, é preciso abrir o olho com os repetecos, a demagogia, a pobreza de propostas, os velhos discursos.

A situação que temos no poder público pode não ser ideal, mas é resultado de nossas escolhas, e o que teremos idem. Na verdade, se os candidatos não evoluem, é porque parte do eleitorado também não evolui, não se atenta, vai na conversa, mercantiliza o voto por interesses individuais.

VOTO E CONSEQUÊNCIAS – Não ir votar, votar em branco ou anular o voto é contribuir para a mesmice, é perda de tempo. Se alguém deseja protestar, ou mudar, é melhor votar e depois cobrar muito. Se o eleitor usar a consciência, raciocinar melhor, serão defenestrados os enganadores, milagreiros – que nunca faltam e são inconfiáveis por venderem fantasias. Não adianta reclamar se não participarmos da escolha.

“Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”, alertou o dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Como malfeitores da vida pública perduram em cargos e nas campanhas, e há eleitor que não atina para isso e, especialmente, para as consequências do voto, depois se torna vítima de suas próprias escolhas e pouco adiantará reclamar. Tenha a idade que tiver.

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