Tribunal condena pai, madrasta e mais dois pela morte do menino Bernardo

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Após quatro dias de julgamento, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini, pai e madrasta do menino Bernardo Boldrini, e os demais envolvidos em sua morte, foram condenados por homicídio qualificado com motivo torpe pela Justiça.

A amiga de Graciele, Edelvânia Wirganovicz e o irmão, Evandro também foram considerados culpados.

As portas do fórum foram abertas ao público às 18h45 e a sentença proferida pela juíza Sucilene Engler. Leandro Boldrini foi condenado a 33 anos e 8 meses de reclusão e a madrasta, Graciele, a 34 anos e 7 meses de prisão.

O julgamento

O longo julgamento do crime conhecido como Caso Bernardo esteve à altura da crueldade de sua concepção e execução. Foram cinco dias de trabalho, em um total de mais de 50 horas dentro do único fórum de Três Passos, município de 23.000 habitantes localizado no noroeste do Rio Grande do Sul. Com apresentação de vídeos, áudios e depoimentos de quinze testemunhas de defesa e de acusação, os sete jurados deram seus entendimentos sobre os réus.

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Responderam ao processo criminal o pai da vítima, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, e Evandro, irmão de Edelvânia. Os quatro foram julgados pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri por crimes variados: homicídio quadruplamente qualificado (Leandro e Graciele), triplamente qualificado (Edelvânia) e duplamente qualificado (Evandro), além de ocultação de cadáver. Leandro Boldrini também respondia pelo crime de falsidade ideológica. Até agora, eles estavam presos de forma preventiva, um exemplo clássico da demora da justiça brasileira: Bernardo foi assassinado na tarde do dia 4 de abril de 2014.

O julgamento foi transmitido em tempo real pelo Tribunal de Justiça. Expôs os meandros da linha de investigação e permitiu ao público mergulhar dentro da vida de horror à qual a vítima era submetida. A única interrupção de transmissão foi por determinação da juíza Sucilene Engler, no momento em que o Ministério Público mostrou imagens do corpo sendo retirado da cova vertical e também no Instituto Médico Legal. As cenas marcantes jamais serão esquecidas pelos presentes no fórum.

Depoimentos

O menino vivia em um ambiente de “desamor”, conforme atestou sua ex-psicóloga Ariane Schmitt. O maior martírio se dava dentro do que deveria ser chamado de “lar”. O garoto não podia ver TV, nadar na piscina, comer à mesa com a madrasta e encostar na meia-irmã, Maria Valentina. Alguns depoimentos cravaram: ele passava fome. Morava em uma casa de quatro quartos e tinha um pai que ganhava 30.000 reais por mês, mas fazia refeição na casa de amigos e vizinhos. O garoto perambulava pela cidade em busca de um teto, de um alento, de um bife.
A comerciante Juçara Petry, o maior esteio do garoto em seus últimos anos de vida, contou inúmeros exemplos do tal desamor. Dois deles: o pai não ter ido à primeira-comunhão do filho e a madrasta se recusar a abrir o portão de casa quando caia uma chuva torrencial em domingo de noite. (Com informações da VEJA.com).