Suspeitos de terrorismo e ameaça a Bolsonaro são soltos

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FOTO: Antônio More/Arquivo/Gazeta do Povo

Três suspeitos de participar da tentativa de ataque a uma igreja em Brazilândia, no Distrito Federal, foram soltos nesta quarta (9), por falta de provas após passar nove dias na cadeia. Eles também eram investigados por uma ameaça de atentado contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), em um caso investigado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e pela Polícia Federal desde dezembro.

O juiz Fellipe Figueiredo de Carvalho, da 7.ª Vara Criminal de Brasília, aceitou o pedido do Ministério Público para arquivar o processo. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, o arquivamento foi uma sugestão das próprias autoridades policiais, que continuam o trabalho de investigação em um inquérito separado.

A polícia havia detido dois homens e uma mulher na cidade de Alto Paraíso, em Goiás, no dia 1.º de janeiro por suspeitar que eles haviam colocado um artefato explosivo em frente à igreja na madrugada de 25 de dezembro. O esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionado, e ninguém ficou ferido.

Em uma audiência de custódia no mesmo dia da prisão, o juiz substituto André Gomes da Silva havia concedido prisão preventiva em flagrante contra os três suspeitos. Entre as provas que a polícia apresentou estava um manual de como fabricar bombas caseiras e tubos de vidro com substância não identificada, além de “rebites e bolas de gude”. “Há fundada suspeita de tratar-se de substância explosiva”, decidiu o juiz, sobre o conteúdo do vidro.

A reportagem apurou que os suspeitos alegaram que o líquido seria “medicina fitoterápica”, e que o manual em questão não pertenceria a nenhum deles.

Na audiência, horas após a prisão, o juiz também levou a consideração uma informação da polícia de que as postagens, no mesmo site em que as ameaças a Bolsonaro foram publicadas, haviam cessado “subitamente”.

No entanto, o site Maldição Ancestral – onde também há ameaças à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e ao presidente da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), Sergio da Rocha – publicou novos textos nos dias 3 e 6 de janeiro, dias em que os suspeitos estavam presos. A primeira mensagem do ano, inclusive, diz que o grupo segue “livre e impune”.

ITS

Denominado ITS-Brasil, ou Sociedade Secreta Silvestre, o grupo que assumiu autoria do ataque é alvo de investigação que envolve a colaboração de agências de inteligência internacionais, segundo a polícia.

Ataques reivindicados em países como Chile, Argentina e México por grupos que atuariam em redes motivou o compartilhamento de informações. No Brasil, a polícia também investiga ataques reivindicados desde 2016, especialmente a explosão de um artefato na rodoviária de Brasília em 2016. “O arquivamento desse processo não quer dizer que essa investigação teve fim”, disse o delegado Fernando César. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.