Se decidir entrar em uma briga, escolha!

Não sejamos hipócritas. A Internet é feita de tretas porque a vida é cheia delas. Discutimos por política, futebol, religião, música, séries e até se é crime pizza levar ketchup. Mas como não se perder em meio a tanta discussão? Calma, não pretendo inflamar ainda mais os ânimos nem estimular novos confrontos. Apenas lanço uma constatação. Não pensamos igual e, para piorar, algumas plataformas das redes sociais não ajudam quando, baseadas em dados dos usuários, oferecem conteúdos cada vez mais extremados e que acirram a polarização.

Quero usar a palavra briga como um sinônimo de pensamento mais ação. Há causas e ideais que não precisamos abandonar só para parecer gentis. Não está morto quem peleia. Só é preciso ter cuidado para escolher a briga que você vai comprar. E atenção! Ainda que os conteúdos sejam diferentes em cada rede social, é quase impossível traçar um limite entre sua persona pessoal e a da sua carreira. Tenho prestado atenção para não entrar em debates inúteis. Cada vez mais, procuro evitar conversas, assuntos, influenciadores e até mesmo ferramentas (alô, grupos de WhatsApp) que desperdiçam “tempo e vontade de potência”, como diria Nietzsche.Eu perdi muito tempo com isso já e você? Então é possível que tenha aprendido alguma coisa para compartilhar e, quem sabe, evitar que você gaste energia à toa e perca o foco no que realmente importa.Se há um verbo que você pode carregar junto com o celular é “priorizar”.Estabeleça suas prioridades em suas leituras das redes sociais e nos debates que vai encarar. Todas as plataformas possuem um botão que permite selecionar quem você vai ver em sua linha do tempo.Há grandes questões que precisam movimentar o mundo hoje: diversidade, tolerância, meio ambiente, educação, inteligência artificial etc.Se eu fosse presidente do planeta, reduziria a desigualdade social por decreto e oferecendo renda mínima para quem tem muito pouco, especialmente em lugares onde ela é tão gritante quanto no Brasil. Como não sou, essa é uma briga que não dispenso. Um dos efeitos ruins da tecnologia foi produzir um exército de gente carente, e loucamente doida para que notem sua presença.

Não seja essa pessoa e, principalmente, ao ser abordado por elas, use o controle remoto das redes sociais: o silêncio.  Se você está em uma rede profissional, um comentário atravessado para um corneteiro virtual pode indicar ao público que sua inteligência emocional é tão pequena quanto os pratos caros dos melhores restaurantes de nossa região, por exemplo. Há também quem vai adorar se você perder a paciência e se prejudicar.Busque o conhecimento, mas não esqueça de checar as fontes, pesquisar, confrontar análises. Com as redes sociais, cada usuário se tornou editor de seu próprio conteúdo e também é responsável pelas brigas que escolhe participar.As informações se tornaram mais democráticas. A parte ruim e que também facilitou a vida de picaretas.Priorizar os temas mais importantes como salvar o planeta do caos climático e proporcionar oportunidades para todos precisam ser comuns a quem deseja viver em um mundo melhor. Você não deve achar que todo inimigo do seu inimigo é seu amigo, mas não deixe que qualquer discordância vire um obstáculo para conseguir aquilo que realmente importa.  Invista mais tempo em grandes problemas, não em pequenas divergências.