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RETICÊNCIAS: O Reino da hipocrisia

Reza a lenda que uma senhora procurou um monge no alto de uma montanha no Tibete para que ele aconselhasse seu filho a parar de comer açúcar. Após dias de caminhada, chegando no local, ela ouviu do sábio que retornasse à montanha após seis meses. Embora chateada com a resposta, ela assim o fez e, mesmo com todo o sacrifício do trajeto, no prazo estipulado ela novamente estava em frente ao seu conselheiro. Ao abordar o assunto, o monge olhou para a criança e disse: “Você precisa parar de comer açúcar!”, dispensando-os. Indignada com a atitude do homem que apenas replicou seu pedido, ela o questionou de o porquê fazê-la andar tanto tempo para dizer de modo tão direto sobre seu desejo, sendo que ele poderia tê-lo feito na primeira visita. O sábio, então, respondeu: “pedi que voltasse seis meses depois porque agora eu deixei de comer açúcar.” Essa história representa a importância dos exemplos serem maiores que as nossas palavras.

Escrevo sobre isso porque a hipocrisia de algumas figuras públicas tem chamado a atenção nos últimos meses com a pandemia. Muitos “coronalovers” foram flagrados em comportamentos distintos aos que condenam, como Luciano Huck que brada constantemente o “fique em casa” e pediu para não aglomerar nas festas de final de ano, mas passou o Natal com mais de uma dezena de pessoas, ou Bruna Marquezine e a Dra. Telma, a ex-BBB, que ganhou R$ 180 mil da prefeitura de São Paulo para fazer uma peça publicitária pedindo para as pessoas se isolarem em seus lares, mas foram para uma ilha festejar com amigos. Felipe Neto, o novo ícone da esquerda nacional, criticou várias pessoas por saírem à rua ou promoverem festas, mas foi flagrado jogando futebol. Defendeu-se, alegando ter sido a primeira vez que fizera isso, porém, foi desmentido pelo jornalista Rica Perroni que revelou imagens do youtuber participando de outros jogos durante o ano. O governador de São Paulo, João Dória, por sua vez, merece destaque ainda mais negativo por sua conduta. Logo após decretar o lockdown no Estado, viajou para Miami de férias com a família, onde foi visto sem máscaras circulando em local público. Após repercussão negativa disse que voltaria ao Brasil e explicou que fora fazer duas conferências na Flórida, o que foi desmentido por autoridades americanas.

O que me revolta não são suas saídas, que eu até defendo, mas o fato de ditarem regras que te condenam a ficar em casa, sem renda e sem trabalho, enquanto eles aproveitam as benesses de uma quarentena “gourmet” e passeiam livremente. Essa turma vive no reino da hipocrisia…

Eder Boaro – Instrutor Master Mind e colunista político

 

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