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RETICÊNCIAS: O pior legado de Bolsonaro

Eder Boaro é instrutor Master Mind e colunista político

Tenho sido um defensor do governo Bolsonaro. Entendo que sua gestão está conduzindo o país rumo ao desenvolvimento de modo acelerado e consistente, além de enfrentar um sistema articulado que, por anos, se beneficiou da máquina pública.

Porém, essa semana, Jair Messias deixa ao Brasil, com ajuda da Câmara Federal, um dos piores legados que um presidente pode passar para as próximas gerações. Refiro-me ao Fundeb, que, com apoio da base aliada do governo, vai aportar mais recursos para esse fundo nacional da educação básica, além de sua inclusão na Constituição Federal. Os dados do PISA, ranking sobre a educação mundial, demonstram que o programa, criado em 2006, não alterou a realidade educacional em velocidade proporcional à injeção de recursos, afinal, o grande problema no Brasil não é a falta de verbas para a educação, mas sim, a falta de gestão com os bilhões de reais despejados todos os anos.

Estamos com dados semelhantes a países da África e muitos dos nossos alunos chegam ao final do ensino básico sem saber interpretar textos ou fazer cálculos simples, o que se reflete no ensino médio e nas universidades que formam, por incrível que pareça, milhares de analfabetos funcionais todos os anos.

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Desse valor para o Fundeb, 70% são destinados para salários, engessando ainda mais a máquina pública, fortalecendo a política sindical praticada nas escolas e privilegiando alguns professores desqualificados que gozam de estabilidade no emprego. Uma afronta aos bons educadores que convivem com esse descalabro.

Entendo que cada região deva levar em conta suas particularidades e aplicar os recursos em convergência com os Prefeitos. Defendo, ainda, que se criem vouchers para os alunos de baixa renda estudarem em escolas particulares, nas quais prevaleça a meritocracia dos professores e o custo administrativo e trabalhista não recaia sobre o Estado, em uma espécie de Prouni do ensino fundamental. Precisamos, também, ampliar o debate sobre o conservadorismo nas escolas, haja vista que as melhores notas nas avaliações nacionais provêm de alunos oriundos de colégios cristãos ou militares, ambientes onde a hierarquia e o respeito aos professores se estabelecem e a qualificação dos docentes é medida pelo resultado do ensino aplicado.

A proposta ainda precisa ir ao Senado para sua consolidação, mas, pelo apoio dos governistas visto na Câmara, provavelmente teremos um grande legado negativo deixado pelo capitão. Ainda dá tempo de salvar o ensino brasileiro, Bolsonaro…

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