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Possível retorno das aulas presenciais repercute na Comissão de Educação

A presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa, deputada Luciane Carminatti (PT), fez nesta quinta (25) uma análise pessimista para o retorno às aulas, previsto para ocorrer no mês de agosto deste ano. Na avaliação dela, apresentada na reunião realizada por videoconferência, o ano letivo de 2020 já está encerrado, por não ver como recuperar o tempo de março até agora, apesar de enfatizar que quem definirá o retorno às aulas serão as autoridades sanitárias. “Entre repetir o ano ou a vida do meu filho, fico com a vida do meu filho”, defendeu a parlamentar.

Na reunião, ao responder questionamento feito pelo deputado Ismael dos Santos (PSD), a deputada fez um relato das reuniões que tem participado no estado e nacionalmente para discutir o retorno às aulas. Informou que participou no dia 4 de junho de um encontro virtual contou com o secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni, e representantes do Ministério Público, Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas, Undime (União de Dirigentes Municipais em Educação), Fecam (Federação Catarinense de Municípios), Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação), Conselho Estadual de Educação e Universidade do Estado de Santa Catarina.

Ela disse que foram criados cinco grupos de estudos que estão elaborando protocolos de segurança e que há preocupação com as implicações trazidas pelo modelo de ensino remoto durante a pandemia, além da sobrecarga dos professores e a exclusão de parte dos estudantes. Destacou ainda que no ensino público estadual, em levantamento realizado, 18% dos alunos não têm acesso à tecnologia para o ensino remoto e 10% nem responderam o questionamento. “Nossa estimativa é de 30% a 50% dos alunos não têm acesso a essa tecnologia.”

Para a deputada, a retomada das aulas presenciais deve levar em consideração o como voltar, quem e quando devem ser retomadas as atividades nas escolas. “O mais importante do que o cumprimento das 800 horas letivas previstas em lei é priorizar o aprendizado e a saúde física e mental de professores e estudantes.”

A deputada Paulinha (PDT) lembrou ainda que, além da problemática do retorno às aulas, ainda há a questão do transporte escolar no qual, em sua avaliação, como ex-prefeita, dificilmente haverá como existir um controle de percentuais de alunos a serem transportados. “Não existe ônibus escolar que não vá lotado.” Para a deputada, não há como retornar as aulas ainda em agosto e que o estado deve insistir no ensino remoto, para depois avaliar se o trabalho foi válido ou não.

A presidente da Comissão de Educação também chamou a atenção para a preocupação do tamanho das escolas, a forma de como será servida a alimentação escolar, dizendo que não há como separar todos os alunos, e o fato que muitos professores integram grupos de risco, com mais de 60 anos e doenças pré-existentes.  “Há ainda pressão absurda sobre os professores, levando ao limite a saúde mental destes profissionais. Não há um método estabelecido para as exigências burocráticas da atividade e os professores ficam 24 horas por dia respondendo mensagens de alunos e pais pelo celular”. (Ney Bueno/Agência AL).

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