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Naomi Seibt: como esta alemã de 19 anos virou a anti-Greta do clima

Ela é jovem, loira, tem cara de menina, mora no norte da Europa e discursa sobre o clima. Não, não é a Greta Thunberg. Trata-se da menina alemã Naomi Seibt, de 19 anos. Ela foi contratada recentemente pelo The Heartland Institute (um influente think tank americano baseado em Chicago e que é ouvido pelo governo de Donald Trump) para divulgar sua visão “antimudanças climáticas”, e foi convidada a participar do próximo CPAC (Conservative Political Action Conference), a maior conferência conservadora dos EUA. Parece que agora a direita tem uma Greta para chamar de sua. Mas quem é, afinal, essa menina e por que ela chama tanto a atenção?

Naomi vive em Münster, uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes no estado da Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha. Ela mora com sua mãe Karoline, advogada que trabalha em casa. Naomi tem por hobby o piano e o violino e assegura ter lido muitos textos científicos sobre o clima. Aos 16 anos, ela se formou no ensino médio, dois anos antes do normal e com as melhores notas. Ela também competiu no concurso científico para estudantes “Jugend forscht”, tendo vencido várias vezes.

Seibt se considera “libertária” e sabe que tem “opiniões políticas impopulares”. O diretor do Centro de Políticas Climáticas e Ambientais do Heartland Institute, James Taylor, a classifica como uma “voz fantástica para o livre mercado e para realismo climático”.

Recentemente, Seibt discursou para um grupo do partido da extrema-direita alemã Alternative für Deutschland – AfD [Alternativa para a Alemanha], em que se encontravam líderes destacados do movimento como Jörg Meuthen, Rüdiger Lucassen y Jörg Urban. Ali ela pôde mostrar um pouco de suas “ideias”. Sim, entre aspas, porque são apenas lugares comuns do próprio discurso que nega as “mudanças climáticas”.

Entre os seus vídeos do YouTube, podemos pinçar frases como “a ciência é inteiramente baseada na humildade intelectual e é importante que continuemos questionando a narrativa que está por aí […]. A ciência da mudança climática não é realmente ciência”. Ela denuncia o “alarmismo climático” e denomina o ambientalismo como uma “ideologia anti-humana desprezível”.

Seibt diz ainda que o CO2 não é o principal responsável pelo aquecimento do planeta. Ela afirma que os cientistas não conseguiram responder à pergunta de qual seria a temperatura média ideal da Terra e que, portanto, toda a política que intervenha no clima está de antemão fadada a fracassar. Enfim, frases que fazem algum sentido, mas que não vêm acompanhadas de dados ou estudos que justifiquem “cientificamente” sua posição.

Seu discurso é mais sereno, mais propenso a questionar que a propor – em contraposição à retórica recriminadora de Greta. Mas, sem nada mais que um rosto juvenil que o respalde, é apenas discurso.

Com esse breve currículo público, começaram a aparecer críticas na imprensa de que ela seria um fantoche de fanáticos de extrema-direita e questionando se as opiniões de Seibt são dela mesma. Que ela seria uma resposta anti-Greta.

O discurso de Seibt apela mais ao emocional que ao racional, pontuado aqui e ali com uma queixa às perseguições de quem questiona o aquecimento global (isso ocorre em alguma medida, mas ninguém a prendeu por estar discursando sobre isso). Mas Seibt evita ser comparada a Greta Thunberg. “A razão pela qual eu não gosto do termo anti-Greta é que ele sugere que eu sou um fantoche doutrinado para o outro lado”, disse ela. Em outra oportunidade, Seibt disse ainda que não quer que as pessoas entrem em pânico [outra referência ao discurso de Greta]. “Eu quero que elas pensem”, diz.

Todos temos o direitos de sermos céticos. O questionamento é salutar, sobretudo quando sincero e seguido de estudo real sobre os temas que nos inquietam. Mas por que políticos buscariam uma loirinha de 19 anos apenas para discursar sobre liberdade de expressão e expressar suas dúvidas quanto às mudanças climáticas senão para usá-la como peça de propaganda?

Enquanto isso, o grande desafio para o clima, de traduzir questões científicas para uma linguagem popular que possa fomentar consensos públicos, fica para depois. Afinal, para isso precisamos de pessoas inteligentes, capazes e minimamente maduras para não rebaixar um problema político, econômico ou científico a apelos emocionais.

Em outras palavras, precisamos mais de trabalho sério do que ironias fáceis com “how dare you” – como Naomi Seibt disse recentemente em resposta às críticas que sofreu pela imprensa acusando-a de ser uma fantoche.

Naomi tem tudo para ter um futuro brilhante, mas, se ela realmente não quiser ser conhecida como a “anti-Greta”, deve repensar o caminho que está trilhando.  (Fonte Gazeta do Povo).

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