Marcos Antonio Barbieri: “Eleição para mudar”

Vivemos um momento de extrema carência de boas lideranças, o que torna ainda mais importante a escolha dos candidatos em quem votar nas eleições 2018. A renovação de nossos representantes está longe de se concretizar, visto que a estrutura política atual foi criada para a perpetuação de classes dominantes. Os partidos se fecham para indicar os candidatos, que na maioria das vezes são sempre os mesmos e quando surge alguém disposto tem que “rezar a cartilha” dos dominadores. Assim, se não houver consistente reforma política, será muito difícil termos mudanças significativas.

O que nos consola é a proatividade exercida pelo Judiciário e o papel da população na fiscalização do poder público, ante as inúmeras denúncias e indícios de processos viciados e de corrupção. Isso, ao menos, acaba “freiando” o ímpeto de muitos espertalhões que se servem do poder.

          Em termos de mudanças, primeiramente precisamos da reestruturação política partidária, pois sem ela não se consegue avançar. O Executivo e a população encontram-se reféns do Congresso Nacional, que aprova e desaprova projetos de seu próprio interesse sem pensar nas contas públicas ou se é viável ou não para o país.

O descomprometimento dos legisladores está levando o país à bancarrota, pela aprovação de leis que os protegem, pela nomeação de parentes e aliados políticos, enquanto as estatais são uma festa. Chegamos ao cúmulo de ver, praticamente, serem quebradas empresas que possuem monopólio, como Correios, Petrobras, Eletrobras, sem falar nos fundos de pensão e no viciado sistema financeiro. Tudo passa pela mão dos políticos, que são os mais caros do mundo, ineficientes, burocráticos e, na maioria das vezes, se servem do Estado.

Do lado empresarial, basicamente temos um perfil empreendedor que deseja investir, mesmo ante todas as dificuldades burocráticas. A simplificação de impostos e o crédito mais barato são molas propulsoras para a geração de empregos e, consequentemente, arrecadar mais impostos, estimulando o rápido crescimento da economia. Porém, é necessária mudança no sistema financeiro, que concentra em cinco bancos 80% dos créditos, com lucros exorbitantes. No meu modo de ver, deveria existir a obrigatoriedade compulsória para que parte desses lucros fosse investida em infraestrutura, via parcerias público-privadas, o que tornaria os bancos principais investidores no setor via PPPs. Como em 2017 os quatro maiores bancos lucraram mais de R$ 57 bilhões, se compulsoriamente investissem apenas 30% em infraestrutura, seriam mais de R$ 17 bi no ano.

Quanto ao Oeste Catarinense, estamos numa região remota, e não fossem a bravura e o espírito empreendedor não seríamos nada. Ainda que reconhecida pelos governos como grande produtora de alimentos de proteína animal e por possuir uma indústria forte, ao mesmo tempo somos praticamente esquecidos, por esses mesmos governos, em termos de infraestrutura. Nossas estradas beiram ao caos, o principal aeroporto é deficitário, ferrovias inexistem, o sistema de energia é precário e baseado apenas na matriz elétrica, enquanto o abastecimento de água e esgoto está muito aquém do necessário, além da saúde, pois temos que nos deslocar para grandes centros para atendimentos mais complexos.

          Pelo que temos, e em vista do pleito de outubro, é fundamental que participemos do processo de escolha de nossos representantes. Se não houver grandes opções, vamos tentar escolher os “menos piores”. Abster-se de escolher é ser irresponsável com o futuro do país e de nossos filhos especialmente. No processo democrático é assim mesmo: avança-se muito lentamente nas mudanças, mas isso faz parte do amadurecimento. Vamos votar, e votar certo.