Filho de servidora vê oportunidade em fórum sem lanchonete e transforma a confeitaria em renda

FOTO: Núcleo de Comunicação Institucional/Comarca de Chapecó

Às vezes, um brigadeiro se torna irresistível depois do almoço ou no meio da tarde. Além da propensão natural do ser humano ao consumo de doces, Pedro Henrique Grando Nunes aproveitou o fato da lanchonete do fórum da comarca de Chapecó ficar fechada nos dois últimos anos e iniciou a comercialização de brigadeiros, “beijinhos”, casadinhos, quindins e outras 10 opções de doces artesanais. Os servidores sabiam que toda quarta-feira era dia de “adoçar a vida”. O que começou como um passatempo, virou a renda de Nunes.

Em 2014, o jovem terminou a graduação em Gastronomia. A vontade era estudar medicina veterinária, como o pai, mas as limitações físicas causadas pela mielomeningocele (doença popularmente chamada de coluna aberta) e hidrocefalia (acúmulo de líquido dentro do crânio) fizeram Pedro mudar de ideia. “Sempre gostei de experimentar comidas diferentes. Então a gastronomia foi uma boa escolha”, conta o chef de 26 anos que recentemente ganhou uma cozinha adaptada na casa onde vive com os pais.

Atualmente a lanchonete do fórum é explorada por uma empresa licitada, mas a comercialização semanal iniciada no espaço rendeu diversos pedidos dos servidores e colaboradores. E logo os doces ficaram conhecidos pela comunidade. “Atendi vários eventos, como casamentos e aniversários, que encomendaram 500 ou 600 docinhos”, destaca. Para dar conta da demanda, o chef tem a valiosa ajuda do pai Clóvis, médico veterinário, e da mãe Diane que é oficial de justiça no fórum de Chapecó. “Durante o dia, Pedro prepara as massas dos doces. À noite temos nosso momento em família. Meu marido e eu auxiliamos na modelagem dos doces. Ouvimos música, conversamos… é muito agradável”, relata Diane.

Nunes gosta de guardar o dinheiro que recebe para usar nas necessidades do dia a dia, em passeios e shows de rock. Apesar de não ter feito a contabilidade da confeitaria, o jovem sabe bem qual futuro pretende. “Quero ganhar dinheiro com os doces e conquistar minha independência financeira”, projeta o jovem que também pretende finalizar o curso de História, cujo andamento está no 6º período.

Cuidado com a natureza

A qualidade dos ingredientes e a higiene na hora do preparo e manuseio dos doces são prioridades para Nunes. Ele avalia esses fatores como diferenciais do produto. A reciclagem é outro detalhe presente na produção. A oficial de justiça lembra que grandes quantidades de latas de leite condensado eram dispensadas até que teve a ideia de reaproveitar as embalagens construindo porta-objetos que levam a marca “Doces do Pedro” pelos gabinetes, cartórios, oficialatos e demais unidades judiciais do fórum, além de decorar ambientes das residências de familiares e amigos que foram presenteados.