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Elefante ‘mais solitário do mundo’ será libertado após 35 anos de maus tratos

Por décadas, o mais solitário elefante do mundo” divertiu multidões em seu pequeno pedaço de terra em um zoológico do Paquistão.

Os visitantes aplaudiam quando ele os saudava, instigado pelos cuidadores que o cutucavam com ganchos pregados na pele. Mais do que tudo, o objetivo era ganhar dinheiro.

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À sua volta, outros animais desapareceram enquanto sua única companheira morreu, supostamente de sepse causada pelos ganchos cravados em sua pele.

Por anos, parecia que ninguém se importava com o destino solitário do elefante. Suas feridas infeccionaram e as correntes em torno de suas pernas deixaram cicatrizes permanentes. Ele ficou obeso e cheio de traumas.

Mas, neste domingo, o elefante mais solitário do mundo, como ficou conhecido, finalmente deixará para trás seu antigo cativeiro para uma nova vida no outro lado do continente, graças à determinação de voluntários e, de maneira surpreendente, de um ícone da música pop, a cantora americana Cher.

Esta é a história de Kaavan, que começa com uma oração e termina com uma canção.

A oração

Kaavan poderia nunca ter ido ao Paquistão se não fosse por um filme de Bollywood, a indústria de cinema da Índia. Mas também houve alguma complicada diplomacia internacional e caprichos de uma menina.

Zain Zia, filha do então governante militar do Paquistão, Gen Ziaul Haq, se apaixonou por elefantes depois de assistir ao filme Haathi Mere Saathi (sucesso indiano dos anos 1970, e que, em tradução livre para o português, se chamaria Elefantes, meus amigos).

Zain Zia, então, fez uma oração.

“Eu olhei para o céu e rezei: ‘Allah Mian, me dê um haathi mera saathi’ (“querido Deus, me dê um elefante para ser meu amigo”)”, disse Zain à BBC, recentemente.

Sua oração foi ouvida por seu pai, conta. Certa manhã, não muito tempo depois, quando Zain se preparava para ir à escola, Gen Haq pediu que ela parasse. Ele colocou uma venda na filha e a levou para o gramado nos fundos da casa.

“Ele disse que havia uma surpresa para mim”, ela lembra.

Até aquele dia, o pequeno elefante tinha sido mantido no Orfanato de Elefantes Pinnawala (PEO), no Sri Lanka, de acordo com Ravi Corea, um especialista em reabilitação de elefantes nos Estados Unidos. Acredita-se que o filhote de um ano tenha sido presenteado ao governo de Gen Haq como agradecimento por seu apoio ao exército do Sri Lanka durante uma insurgência.

No entanto, as razões exatas do “presente” permanecem obscuras. Também não se sabe se Kaavan era realmente um órfão, mas sabemos que, em algum momento de 1985, o jovem elefante acabou em um zoológico em Islamabad, capital do Paquistão.

O zoológico de Marghuzar, estação montanhosa na província de Khyber Pakhtunkhwa, havia sido construído apenas sete anos antes, mas existia um vácuo de poder na organização, que sofria com a influência de funcionários corruptos.

Simplificando, as autoridades não pareciam se importar com o que acontecia no zoológico ou com seus animais.

Por isso, vários funcionários influentes do zoológico começaram a oferecer contratos a famílias da região, permitindo que elas tivessem barracas de comida e áreas de recreação infantil dentro do local dedicado aos animais, bem como em áreas verdes que circundam o zoo.

Os funcionários também tinham outras maneiras de ganhar dinheiro.

Denúncias apontaram que animais, principalmente antílopes, foram retirados do zoológico para virar comida em festas e churrascos promovidos por pessoas influentes da região.

Quando um grupo de voluntários chamado Friends of Islamabad Zoo (FIZ) começou a fazer pesquisas periódicas no zoológico, em 2019, descobriu-se que o número de animais havia caído. Quando eles apontaram publicamente essas anomalias, novos animais apareceram repentinamente no local.

Essa não foi a única coisa que o grupo descobriu.

“Não há instalações veterinárias nem suprimentos de remédios no zoológico”, disse Mohammad bin Naveed, um voluntário do FIZ. “Não há instalações de saúde animal aqui; não há sala onde uma cirurgia possa ser realizada, e nenhum espaço onde um animal doente possa ser mantido isolado.”

No meio de tudo isso estava Kaavan, o elefante e estrela do zoológico. (Fonte R7).

 

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