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EJA é essencial para construção de um modelo de desenvolvimento sustentável

Os desafios para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Chapecó no século 21 foi o tema da palestra do Seminário Boas práticas na Educação de Jovens e Adultos, promovido pela Câmara Regional Oeste do Movimento Santa Catarina pela Educação nesta semana, em Chapecó. O objetivo do evento foi fortalecer o ecossistema da EJA e sensibilizar os empresários da importância da educação básica para a competitividade. Participaram professores das redes estadual e municipal de educação.

O seminário foi realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, Secretaria Municipal de Educação, Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomérico), Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Fesc/Senar) e Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).

A palestra foi proferida pelo doutor em educação de adultos, professor da Universidade Federal da Paraíba e coordenador da Cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em Educação de Jovens e Adultos, Timothy Denis Ireland. Ele explanou sobre os três grandes desafios globais na atualidade: processo de rearmamento nuclear; mudanças climáticas: sempre houve ciclos ao longo da história mundial, mas processos naturais, agora o impacto é de intervenções humanas sobre o clima; e desafio das novas tecnologias, com a robotização e a inteligência artificial.

Entre as características do mundo atual ele citou a globalização, a interconexão e a interdependência entre as nações em todos os sentidos. Com isso, dificilmente os grandes desafios são locais, mas mundiais, e há necessidade de ter metas comuns entre os países de desenvolvimento sustentável e educação. Nesse contexto, a educação também passa por desafios. “Desde 1990 a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras instituições criam agendas globais para a educação e para o desenvolvimento. É preciso desenvolver estratégias para enfrentar os desafios que aparecem. Ao pensar na EJA para os próximos anos, há de se ter em mente sempre a perspectiva de mudanças. Precisamos educar para o futuro e não somente para o presente”, enfatizou o palestrante. 

Ireland explicou que o aprendizado e a educação de adultos incluem múltiplas oportunidades de aprendizagem, entre elas alfabetização e habilidades básicas; a formação contínua e o desenvolvimento profissional; a cidadania ativa, por meio do que é conhecido também como educação comunitária, popular ou liberal. Os objetivos da EJA destacados pelo professor são equipar as pessoas com as capacidades necessárias para que exerçam e realizem seus direitos e assumam controle de seus destinos; promover o desenvolvimento pessoal e profissional, apoiando, assim, o envolvimento mais ativo dos adultos com suas sociedades, comunidades e ambientes; promover o crescimento econômico sustentável e inclusivo e perspectivas de trabalho decente para os indivíduos. “São, portanto, ferramentas cruciais para reduzir a pobreza, melhorar a saúde e o bem-estar e contribuir para sociedades de aprendizagem sustentáveis”, salientou.

ANALFABETISMO

No Brasil, os desafios são grandes. A taxa de analfabetismo no País foi de 7% em 2018 (o que correspondia a 11,5 milhões de pessoas), variando de 14,8% no Nordeste a 3,6% no Sul. Para pessoas negras ou pardas, essa taxa (9,9%) era mais que duas vezes a das brancas (4,2%). Mais da metade da população de 25 anos ou mais no Brasil possuía apenas até o ensino fundamental completo. Entre as pessoas de 60 anos ou mais de idade, a taxa de analfabetismo chegou a 20,4%, sendo 11,7% para os idosos brancos e 30,7% para os idosos negros ou pardos.

Em Santa Catarina o índice de analfabetismo é de 3,7% da população masculina (89.939 homens) e 4,3% da feminina (107.403 mulheres). Em Chapecó o índice é de 4,1% para os homens (2.873 pessoas) e 5,1% para as mulheres (3.674 habitantes). A faixa etária com o maior índice é entre 50 a 70 anos, sendo 60% do total.

MATRÍCULAS

As matrículas na EJA no Brasil foram de 3.367.000 em 2007, 2.182.000 em 2015 e 2.172.716 em 2017 no ensino fundamental. No ensino médio foram 1.618.000 matrículas em 2007, 1.207.198 em 2015 e 1.425.812 em 2017. Em Chapecó, as matrículas na EJA foram de 3.272 no ensino fundamental e 1.989 no ensino médio. Desses números, 26,4% são jovens entre 20 e 24 anos. “É um dado preocupante porque nessa idade a educação básica deveria ter sido concluída”, frisou Ireland.

DESAFIOS

O professor explanou sobre os desafios para a construção de um ecossistema da EJA em Chapecó. De acordo com ele, o princípio do desenvolvimento sustentável coloca o futuro do planeta como objetivo maior da educação e exige um ensino que forma e prepara as pessoas para um futuro sustentável em termos econômicos, sociais e ambientais. “Esse princípio se aplica a todos os atores no processo de desenvolvimento: trabalhadores, empresários, governantes etc. Todos precisam se preocupar porque todos terão que mudar hábitos e só a educação ajuda a fazer isso”.

Além disso, é necessário um ecossistema articulado. Consequentemente, exige parcerias e integração com outros campos de atividade e com outras políticas sociais. Ireland salientou que a tarefa da EJA é propiciar atualização de conhecimentos por toda a vida e que as necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos exigem programas que preparam para o mundo do trabalho e para a vida cidadã na sua plenitude. “A EJA é vital para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável e para o futuro do planeta, é essencial para enfrentar os três grandes desafios globais e é um direito de todos”, concluiu o palestrante.

CASES

Após a palestra, foram apresentados três cases de sucesso em educação. A professora Venida Flesch Rover explanou sobre a EJA do SESI/SENAI; o professor Charlson José de Albuquerque Maranhão apresentou um projeto “A Tríade da Perenidade: educação, tecnologia e plantas medicinais”, desenvolvido por alunos do SENAC; e a coordenadora do Centro de Gestão e Empreendedorismo e monitora do Programa de Qualificação para Exportação da Unoesc, Inocência Boita Dalbosco, relatou sobre o Qualifica BRF, quando a instituição atendeu os trabalhadores da BRF com um curso específico durante o período de lay off da empresa. O debate foi mediado pelo diretor de Graduação e de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoesc, Celso Paulo Costa.

Movimento SC Pela Educação

O presidente da Câmara Regional do Movimento Santa Catarina pela Educação e vice-presidente da FIESC da Regional Oeste, Waldemar Antônio Schmitz, destacou que o projeto proposto pela Câmara Regional para 2019 é evasão na Educação de Jovens e Adultos, causada principalmente por metodologias de ensino que não são voltadas para o público. “O seminário foi uma ação desse projeto cujo objetivo é o fortalecimento do ecossistema da EJA e sensibilização dos empresários na importância da educação básica para a competitividade. Acreditamos que por meio dessas ações possamos, em conjunto, promover a ampliação da escolaridade do trabalhador, contribuindo para a melhoria da competitividade, para aumentar o número de trabalhadores com educação básica completa e para o fortalecimento da rede de ecossistema EJA”. (Informações MB Comunicação).

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