Polícia

Delator que abalou a estrutura de poder dos Bala na Cara é executado

Um assassinato em Balneário Camboriú (SC), em meio ao feriado de Carnaval, é encarado pela polícia gaúcha como mais uma demonstração de poder das facções criminosas da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Douglas Gonçalves Romano dos Santos, o Magrão, de 23 anos, foi peça-chave para que a Polícia Civil e o Ministério Público esclarecessem pelo menos 60 homicídios diretamente relacionados ao comando dos Bala na Cara.

Até então um gerente da facção, e um dos homens de confiança de José Dalvani Nunes Rodrigues, o Minhoca, em 2017, se sentindo ameaçado pelo próprio bando, ele se tornou o mais importante delator em colaboração com as autoridades judiciais do Estado. A maior parte dos processos que tiveram origem nas informações repassadas por Magrão já está em fase de audiências e tomadas de depoimentos dos réus e testemunhas. E aí, a queima de arquivo pode estar configurada.

Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, Douglas chegava em casa, no domingo a noite, em um carro de aplicativo. Ao descer, não teve tempo nem de chegar ao portão do local onde morava havia apenas uma semana. Foi atingido por pelo menos 15 disparos que teriam partido de ocupantes de outro veículo. Eles o estariam seguindo durante o trajeto até a casa.

Magrão sofreu tentativa de homicídio no último dia 2 de fevereiro, quando saia de uma festa em Balneário Camboriú e foi alvejado por tiros.

Durante os mais de dois anos de delações, Douglas Romano foi mantido no programa de proteção a testemunhas, e teria perambulado por diversos estados. Em janeiro, a pedido de Douglas, ele saiu do programa de proteção a testemunhas.

No começo de 2017, Minhoca, apontado como um dos principais e mais violentos líderes dos Bala na Cara, já estava preso há alguns meses, depois de ter sido capturado no Paraguai. Ainda no sistema prisional gaúcho, no entanto, ele seguia, como apontou a polícia, dando as ordens sobre o que aconteceria nas ruas, tanto na Capital quanto na Região Metropolitana.

Drogas do Paraguai para Canoas

O núcleo de poder do bando fica na zona norte de Porto Alegre, mas foi justamente em um dos tentáculos da facção em Canoas que a polícia teve, em fevereiro de 2017, uma comprovação das informações que o delator começava a repassar. Foi a partir de uma denúncia dele que os agentes do Departamento de Homicídios de Porto Alegre chegou a uma fábrica de fachada no bairro Industrial, em Canoas, onde estavam armazenados 142 quilos de maconha.

Já no começo de 2018, também baseada em informações que eram comprovadas nas delações, a Delegacia de Repressão do Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD) chegou a mais de R$ 6 milhões em bens do líder da facção. Entre eles, um sítio em Gravataí. Há suspeita de que o local era usado para armazenar drogas e armas.

Criado no bairro Mario Quintana, Douglas Romano, o Magrão, teria envolvimento direto nos crimes que marcaram a guerra entre os Bala e os Anti-Bala na Capital, com sequestros, esquartejamentos e decapitações.

Medo, medo de morrer, não. Na real, eu já tô fazendo hora extra na Terra. Fico espiado. Mas medo, medo de morrer, não tenho, não. Já tive bastante no comecinho. Não sei se já me conformei. Uma hora vão me pegar, isso é certo.

DOUGLAS GONÇALVES ROMANO DOS SANTOSDelator de facção em entrevista a GaúchaZH em março de 2019

(Fonte Correio de Gravataí).

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