Crise entre EUA e Irã afeta venda de frigoríficos brasileiros

O presidente americano, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de sanções ao Irã. Na última semana, a tensão entre os dois países se intensificou após a derrubada, pelos iranianos, de um drone dos EUA. Washington chegou a preparar um ataque militar ao território iraniano, mas Trump abortou a ofensiva na última hora.

Para os frigoríficos brasileiros, a escalada no conflito diplomático reforçou a decisão dos exportadores de colocar o pé no freio. Ao Valor, o dono de um frigorífico de médio porte afirmou que há quase dois meses não fecha novos contratos de exportações para o Irã.

“Faz tempo que eles não fazem novos negócios”, ressaltou um executivo de um grande exportador, acrescentando que a redução das vendas reflete a ausência de leilões de importação do órgão estatal iraniano. O país não vem conseguindo ter acesso a divisas.

Além dos reflexos negativos da pressão de Trump, os exportadores de carne bovina enfrentam dificuldades adicionais para conseguir bancos no Brasil que aceitem receber os recursos oriundos do Irã.

No início de maio, funcionários do Banco Paulista foram presos em um desdobramento da Operação Lava-Jato. A instituição financeira era uma das poucas que firmava contratos com os frigoríficos para viabilizar o recebimento dos recursos das vendas ao Irã. “Até por compliance, temos que buscar outros bancos”, afirmou outro executivo.

Procurado pelo Valor, o embaixador do Brasil no Irã, Rodrigo de Azeredo Santos, ponderou que ainda é preciso avaliar os impactos das novas sanções americanas. (Fonte Valor).