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CRIME DA 113 SUL: Adriana Villela presta depoimento que já passa de 90 horas

A arquiteta Adriana Villela retomou seu depoimento, no Tribunal do Júri de Brasília, na manhã desta terça (1º). Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do pai, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela; da mãe, Maria Villela; e da empregada da família, Francisca Nascimento.

Adriana Villela, de 55 anos, é ré por triplo homicídio em um processo com mais de 20 mil páginas. No dia do crime, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados:

  • o pai dela, José Guilherme Villela, 73 anos, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 38 facadas;
  • a mãe dela, Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, advogada, com 12 facadas;
  • a empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos, com 23 facadas.

Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul. A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15.

Maria Carvalho Mendes Villela e José Guilherme Villela, mortos em 2009 em apartamento na Asa Sul – Foto Arquivo pessoal

A sessão desta terça, iniciou às 9h30 e ainda não há um prazo para que a sentença seja anunciada. Adriana chegou ao local às 9h17, acompanhada da filha, do irmão e dos advogados.

O depoimento foi interrompido por volta das 13h30 para o almoço e retomado às 14h49. Durante este intervalo, Adriana Villela ficou isolada dos advogados.

Pela manhã, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano – que conduz a audiência – foi o primeiro a interrogar a ré. Adriana Villela respondeu sobre a relacionamento dela com os pais e disse que mantinha uma “relação amorosa” com a família.

“Quando esse crime aconteceu, minha família estava muito feliz”.

Este é o 9º dia do julgamento. O júri já se aproxima das 90 horas de duração e é considerado o mais longo da história do Distrito Federal. O crime ocorreu em 2009 e ficou conhecido como “triplo assassinato da 113 Sul”.

Depoimento

Durante o depoimento, Adriana Villela falou sobre diversos assuntos, como a relação com os pais, o dia do crime e as investigações. Ela responde apenas a perguntas da defesa e se nega a atender aos questionamentos do Ministério Público. Confira destaques abaixo:

Questionada pelo juiz sobre possíveis conflitos com os pais, Adriana negou que houvesse brigas e chorou ao falar sobre a falta de apoio da família para a profissão escolhida por ela.

Em seguida, a arquiteta acusada disse que “sempre recebeu apoio dos pais” e afirmou que a denúncia contra ela “mancha a imagem da família”.

“O crime de parricídio, do qual vocês me acusam, é um crime muito mais grave do que o de homicídio. Porque ele mancha a imagem dos meus pais e isso não aconteceu. Ninguém da minha família poderia fazer isso”.

Ainda no depoimento, Adriana falou sobre os investimentos da família. “Meus pais faziam uma poupança e, nela, eles não mexiam. Eles me ajudavam quando entravam outros recursos, mas nunca me inteirei disso”.

“O quanto eles ganhavam não era assunto dos outros, somente deles. Foi muito vexaminoso pra mim ter que responder quanto eu ganhava de mesada”. 

Emocionada, Adriana disse aos jurados que viveu momentos de aflição no dia 31 de agosto de 2009, quando os corpos dos pais e de Francisca Nascimento foram encontrados, no apartamento do casal na quadra 113 Sul.

Segundo a ré, a filha dela, Carolina Vilela, ligou preocupada depois que o avô não apareceu para trabalhar no escritório de advocacia da família, e disse que iria até a casa dos avós. Adriana afirma que, enquanto isso, fez ligações para diversos parentes e amigos em busca de informações sobre as vítimas.

De acordo com a acusada, quando Carolina chegou no apartamento foi informada por um porteiro que os avós tinham viajado. Adriana diz que foi até o local e que, enquanto a filha tentava abrir a porta do apartamento, ela foi procurar informações com comerciantes da região.

A ré afirma que, quando voltou, Carolina contou que os corpos das três vítimas tinham sido encontrados dentro do apartamento. “Eu quis subir para ver minha mãe, mas fui impedida. Falaram que o apartamento já estava isolado.”

Adriana Villela também criticou o início das investigações, comandadas pela ex-delegada Martha Vargas. Ela foi condenada por diversas irregularidades ao longo das apurações e acabou afastada depois que descobriu-se que a delegada usava informações de uma vidente para guiar o caso.

Segundo a ré, Martha Vargas passou dados à imprensa desde o início e pediu ajuda para conseguir informações sobre o crime. “Foi o pontapé inicial errático que [levou] a dra. Martha a criar um palheiro em vez de procurar uma agulha, em vez de procurar as pistas”. (Fonte G1).

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