Chapecó abriu espaço para um encontro onde gestão, cuidado e humanidade caminharam lado a lado. O evento Marketing em Saúde: Escalar com Estratégia e Humanização, promovido pelo Sebrae/SC na última semana, reuniu 70 profissionais e empreendedores que diariamente moldam o bem-estar da região. Entre olhares atentos e trocas genuínas, emergiram histórias, números e práticas que revelam um setor em transformação.
A programação iniciou com a apresentação do diagnóstico setorial de saúde de Chapecó, elaborado pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC, que traça um panorama sobre o nível de maturidade e gestão dos empreendimentos da região oeste catarinense. Entre as principais tecnologias já aplicadas no segmento estão o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), que substitui registros físicos e garante acesso rápido e seguro ao histórico, a telemedicina, que amplia o acesso a especialistas e facilita consultas remotas, os sistemas de gestão integrada (ERP), que reúnem informações financeiras, de agendamento e estoque, o uso de Business Intelligence (BI) para monitoramento de indicadores como ocupação e inadimplência e soluções de Inteligência Artificial (IA), que apoiam diagnósticos, triagens e atendimentos via chatbots.
“O estudo também aponta um conjunto de oportunidades para pequenas empresas, especialmente em áreas como telemedicina e saúde digital, inteligência artificial e big data, saúde preventiva, medicina personalizada, infraestrutura e logística, além da necessidade crescente de educação e formação continuada dos profissionais. Essas tendências reforçam a expansão do acesso, o monitoramento remoto de pacientes, diagnósticos mais precisos e a personalização de tratamentos, ao mesmo tempo em que evidenciam a importância de capacitação permanente e integração entre sistemas de saúde”, destacou a analista de negócios do Sebrae/SC, Raquel Gobb.
Atualmente, o território conta com 4.566 empresas ativas no setor, sendo que 86,6% são pequenos negócios, o equivalente a 3.942 empresas, entre micro e pequenas. As atividades mais comuns incluem consultórios médicos, serviços odontológicos, fisioterapia, psicologia e unidades de pronto atendimento. No total, o setor emprega 8.146 profissionais, com 42,76% desses postos de trabalho concentrados nas micro e pequenas empresas. As ocupações mais frequentes são técnico de enfermagem, faxineiro, enfermeiro e recepcionista, enquanto Chapecó lidera como o município com maior número de empregos, seguida por Concórdia e Xanxerê.
O levantamento também identificou as principais dores do setor, entre elas o baixo investimento em inovação, a ausência de cultura inovadora, a falta de planejamento estratégico com metas definidas, atividades sem padronização, estruturas inadequadas e desafios significativos na gestão de pessoas. A sobrecarga operacional, a falta de delegação e a dificuldade em identificar tarefas que poderiam ser descentralizadas aparecem como pontos críticos que afetam diretamente a qualidade e sustentabilidade dos negócios.
“Em paralelo, o programa Sebrae Na Sua Empresa – Saúde 2025 analisou mais de 100 negócios, entre clínicas, consultórios e academias, e destacou avanços importantes na conformidade legal e na estruturação organizacional. Porém, a gestão de pessoas segue como o tema mais sensível, reforçando a necessidade de capacitação em liderança, engajamento e organização de equipes. O estudo ainda aponta oportunidades de melhoria em planejamento, mercado e vendas, digitalização e inovação, indicando que a adoção de ferramentas estratégicas, ações de liderança e programas de modernização podem elevar significativamente a competitividade do setor”, ressaltou Raquel.
Na sequência, foi realizado o painel de boas práticas em gestão de negócios de saúde, com a participação de empreendedoras atendidas pelo Programa Agente Local de Inovação (ALI), que compartilharam suas experiências de crescimento e transformação com o apoio do Sebrae/SC. Três empreendedoras compartilharam suas trajetórias e resultados obtidos com o acompanhamento do Sebrae por meio do programa ALI. Maikeli Simes, médica e CEO de clínica especializada, ressaltou a importância do olhar atento ao paciente e à experiência dentro do consultório. “Trabalhamos muito a jornada do cliente dentro da clínica, um processo construído junto ao Sebrae. Controle de qualidade, capacitações e aprendizado constante passaram a fazer parte da rotina, sempre com foco no cuidado e na humanização”, afirmou.
Thaiana Zorzi, fisioterapeuta e proprietária da Clínica Aliê Saúde Integral, destacou como o Sebrae contribuiu para ampliar a visão de gestão e saúde integrada. “Aprendi a olhar não só para a parte física, mas também para a mental e emocional. O Sebrae me ajudou a enxergar a importância da gestão financeira, algo que antes era uma angústia. Hoje, entendo que cuidar do negócio também é cuidar da saúde”, contou.
Já Magda Mercúrio, CEO das clínicas odontológicas Diamond e Refinate Odontologia, ressaltou os resultados obtidos após a participação no programa. “Minha jornada com o ALI me ajudou a aperfeiçoar o time, aprimorar a gestão e entregar ainda mais qualidade no atendimento. O olhar de gestão fez toda a diferença na evolução da empresa”, destacou.
Encerrando o evento, a palestrante Agnessa de Almeida Leite apresentou a palestra “O Novo Paciente, o Novo Mercado”, abordando a evolução do marketing em saúde e a importância da humanização nas estratégias de comunicação. Agnessa destacou que, mais do que divulgar serviços, o marketing em saúde precisa gerar valor, vínculo e confiança. “Atualmente o marketing faz parte do cuidado. A experiência do paciente começa no digital, quando ele busca uma informação ou conhece um profissional nas redes. Ser visto é importante, mas é essencial ser percebido com credibilidade. A humanização e a conexão genuína são o verdadeiro diferencial”, explicou.
Ela apresentou os chamados 4 Vs do novo marketing: visibilidade, valor, vivência e vínculo, como pilares para fortalecer a reputação e a confiança dos profissionais de saúde. “Servir é estar à disposição do outro com o melhor que sabemos fazer. Não basta ser bom, é preciso parecer ser bom e isso passa por comunicação, empatia e experiência. Humanizar é o que mais gera valor e o que não tem preço”, concluiu.
Próximos passos
evento também marcou um movimento estratégico importante para o Sebrae/SC na região. O segmento de saúde, considerado pilar econômico importante no oeste catarinense, é prioridade na agenda da Regional Oeste, devido ao seu potencial de crescimento, impacto social e capacidade de geração de renda e empregos.
“Com base nos dados revelados no diagnóstico setorial, que apresentou desde avanços em digitalização e gestão até desafios críticos relacionados à inovação, processos e pessoas, o Sebrae/SC iniciará a construção de um plano de atendimento continuado para o setor. O objetivo é oferecer suporte técnico estruturado, ferramentas de gestão e inovação e ações formativas alinhadas às necessidades reais identificadas nas clínicas, consultórios, serviços de bem-estar e demais empreendimentos do território. Esse plano contemplará trilhas de capacitação, consultorias especializadas, acompanhamento próximo dos empreendedores e iniciativas focadas em liderança, processos internos, experiência do paciente, inovação digital e sustentabilidade do negócio. A proposta é ampliar a competitividade das pequenas empresas, apoiar a profissionalização das equipes e fortalecer o ecossistema regional de saúde”, acrescentou a gerente regional do Sebrae/SC no oeste, Marieli Aline Musskopf.






