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COLUNA EDER BOARO: Quanta hipocrisia

O ano era 1997. O Plano Real se consolidava gerando confiança entre os investidores e a população brasileira que, após anos de hiperinflação corroendo seu poder do compra, via os preços controlados pela nova política cambial. Nos bastidores de Brasília, a candidatura de Lula e as articulações de Ciro Gomes cresciam, porém, o que mais chamava a atenção era a alta popularidade de Fernando Henrique Cardoso, que ficou erroneamente conhecido como o pai do Real, mesmo a moeda tendo sido implantada no governo Itamar Franco. Apesar de todo esse apoio popular, nossa Constituição Federal não permitia a reeleição no poder Executivo, o que não chegou a ser um problema para alguns sedentos pelo poder, que viram como solução a compra de boa parte do Congresso. Jornalistas de renome dizem hoje que se sabia da comercialização de parlamentares, mas curiosamente, o silencio da imprensa fez com que nada disso viesse à tona, mesmo diante de um crime abjeto contra a democracia.

Depois, entre 2003 e 2006, com o objetivo de aprovar os projetos do governo, o PT comprou o Congresso com o chamado mensalão, fruto de verbas desviadas de estatais. Apesar do escândalo, não vimos por parte de alguns exaltados da imprensa o discurso de impeachment contra Lula, nem de crime contra a democracia ou atentado contra as instituições. Naquele momento, em que vivemos o período mais sombrio e vergonhoso da história republicana, o silencio da maioria foi gritante.

Menos grave, mas também inaceitável, foi ver Dilma Roussef em 2015 receber em uma solenidade no Palácio do Planalto, um líder do MST ameaçando invasões em fazendas e, até aos gabinetes no Congresso de quem não compactuava com suas ideias. Isso tudo aplaudido e elogiado pela presidente da República, de modo oficial. Para a maior parte da imprensa, o episódio não mereceu destaque, muito menos repúdio.

Agora Bolsonaro compartilha, de forma equivocada, um vídeo no WhatsApp promovendo uma manifestação contra membros do Congresso e, uma parte da mídia antes adormecida, fala até em impedimento do chefe do Executivo. Qual o motivo da indignação seletiva desses profissionais de imprensa? Com essas atitudes, tais setores perdem cada vez mais credibilidade e acabam, por conseguinte, fortalecendo o nome de Jair Messias para a próxima eleição. A maioria silenciosa, que elegeu o Capitão, está cada vez mais convicta de que a batalha contra o sistema será cada vez mais árdua e a luta se começa denunciando a hipocrisia…

Eder Boaro é instrutor Master Mind e colunista político

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