Coluna EDER BOARO: “O nariz não vai crescer”

No final do século XIX, o italiano Carlo Collodi criou um personagem famoso que, fruto de uma escultura a partir do tronco de uma árvore, via seu nariz crescer cada vez que contava uma mentira. O Pinóquio, mais de um século depois, ainda inspira a vida real e, mais do que nunca, deve povoar o imaginário dos petistas e defensores do ex-presidente Lula, que aguardam ansiosos a ampliação nasal dos que delataram contra o condenado preso em Curitiba.

Primeiro foi Léo Pinheiro que acusou o líder petista de receber propinas, como a reforma no triplex, as quais já lhe ensejaram condenação por diversos magistrados em distintas cortes. Essa semana o executivo da OAS enviou um manuscrito ao jornal Folha de São Paulo, no qual reafirma o pagamento de propina, através de melhorias nos imóveis de Atibaia e Guarujá, esclarecendo que já enviou as provas à Justiça. Depois foi a vez de Emílio Odebrecht dizer que Lula fazia acordos desde a época em que liderava os sindicalistas e que recorreu algumas vezes ao petista para resolver situações pendentes com os trabalhadores, com métodos, no mínimo, pouco republicanos. Já Marcelo Odebrecht apresentou e-mails onde mostra repassar propinas a Lula, através de reformas nos imóveis citados. Vale lembrar que somente é válida uma colaboração premiada se o delator apresentar provas do que relatou e todos esses foram beneficiados com esse expediente.

Porém, apesar de tudo o que já se ouviu, jamais poderíamos imaginar que o homem de confiança do ex-presidente pudesse fazer uma delação. O antes fiel aliado, Antônio Palocci, hoje se tornou um traidor para os adoradores de Lula, tudo por que ele decidiu falar uma pequena parte do que sabe à Justiça. Já na CPI do BNDES, essa semana, o ex-ministro dos governos petistas afirmou que os repasses às empresas amigas chegaram à casa dos R$ 500 bilhões, com operações atípicas e comissões vultosas para o partido e seus líderes, dentre eles, o chefe do bando, preso em Curitiba. Palocci ainda guarda muitos segredos que hoje devem atormentar a cúpula petista, especialmente sobre a morte misteriosa de Celso Daniel e das sete testemunhas sobre o caso.

Com tantas circunstâncias que depõe contra Lula, mesmo que Palocci e os demais delatores tivessem a característica principal do Pinóquio, eles continuariam com o nariz do mesmo tamanho cada vez que se referissem ao líder da quadrilha que assaltou o Brasil…