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COLUNA EDER BOARO: O custo da ditadura

O período de implantação da última ditadura militar no Brasil foi excepcional. Com o mundo dividido pela guerra fria, onde a União Soviética tinha planos de implantar o socialismo em toda a América Latina, podemos afirmar que fomos salvos pelos militares diante do risco iminente de virarmos uma grande Cuba. Nessa gestão das forças armadas, avanços significativos foram promovidos, especialmente na infraestrutura, porém, algumas de suas ações nos custaram muito e refletem no engessamento que trava o desenvolvimento do Brasil. Das heranças negativas deixadas por essa ditadura, duas chamam a atenção por interferirem até hoje a população.

Uma delas foi a construção da figura pública de Lula. Líder sindical, ele usou sua capacidade de articulação para se fortalecer entre os militares e os trabalhadores. Segundo o delegado Romeu Tuma, Lula transitava com facilidade entre os dois campos ideológicos, inclusive colaborando em diversos momentos com os generais no poder. Isso fez com que pudesse, logo após a anistia política, se consolidar como líder popular e, anos mais tarde, assumir a presidência da República, promovendo uma política de endividamento, corrupção e populismo, que levaremos anos para superar.

A outra foi a atual Constituição Federal. Alicerçada por Ulisses Guimarães, ela foi escrita com o objetivo garantista em demasia, promovendo uma série de direitos imutáveis e exigindo poucas obrigações dos brasileiros. Por medo de possíveis decisões unilaterais, como era feito nos governos militares, foi estabelecido prerrogativas de defesa contra um possível Estado opressor, em um momento que a democracia era retomada e necessitava de consolidação.

Hoje, trinta anos após a chama Constituição Cidadã, de diretriz socialista, precisamos rediscutir uma nova carta magna, sem tanta intervenção estatal e permitindo maior liberdade da população, acompanhada de responsabilidades equivalentes. Urge a elaboração de um escrito em que os constituintes mudem a forma de ver o Brasil e, ao invés de se autoproclamarem representantes do povo, entendam que eles também são o povo. Um documento que ofereça menos à população, mas garanta que os cidadãos de bem possam ser livres, prósperos, seguros e iguais perante a lei. Eu ainda sonho com uma Constituição Federal sem a sombra dos governos militares…

Eder Boaro é instrutor Master Mind e colunista político 

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