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COLUNA EDER BOARO: “Arroz e feijão bem temperado”

Há exatos três anos Chapecó acordou sabendo que jamais seria a mesma cidade. Recordo-me que por volta das 5 horas da manhã meu telefone tocou. No visor, o número da Rádio Encantado, da minha cidade. De sobressalto atendi pensando ter acontecido algo com um familiar, porém, o pedido era para que eu entrasse ao vivo na programação da emissora para falar sobre o clima de apreensão que Chapecó vivia. Sem saber do que se tratava, lembro-me da frase proferida pelo amigo Henrique Pedersini, meu interlocutor no momento: “entra e fala sobre o avião da Chape que caiu…”.

Apartir de então, minha compreensão e envolvimento com a cidade que há poucos meses havia me acolhido mudou completamente. Nas ruas, conforme o dia amanhecia o caminhar era mais lento, o silencio era agonizante e a esperança, a cada notícia, dava lugar a lágrimas e abraços consoladores.

A solidariedade mundial foi percebida em manifestações de apoio de outros clubes e especialmente do povo colombiano, que lotou o estádio onde seria realizada a partida final da Copa Sulamericana para prestar sincera homenagem aos mortos. A preocupação dos torcedores era sobre a continuidade do clube, devido às dificuldades para reestruturação e as possíveis indenizações às vítimas da tragédia. Parecia que os chapecoenses sabiam que aquele voo fatídico da La Mia não apenas tirava pessoas queridas da comunidade, mas decretava um longo declínio do clube, que era o grande orgulho de Chapecó.

Essa semana, três anos após o acidente, confirmou-se a queda para a série B do Campeonato Brasileiro. Hoje, endividada e sem perspectivas de reversão da crise financeira em curto prazo, a Chapecoense se tornou um clube que não oferece esperança aos seus seguidores. Muitas críticas são ouvidas pelas ruas e muitos culpados foram escolhidos pelos fãs, mas o fato é que naquele morro da Colômbia foi sepultado um modelo de gestão que encantou o Brasil. Os três anos de sobrevida na serie A serviram para que os chapecoenses pudessem compreender que os feitos daqueles gestores mortos na tragédia realmente são dignos de reconhecimento.

Hoje, o desejo dos torcedores é de ver novamente o clube ser modelo de administração, mas, para isso, as palavras do então presidente Sandro Pallaoro devem ser incorporadas pelos futuros diretores. Ele gostava de dizer que na Chape se fazia o arroz e feijão, mas bem temperadinho. Que este cardápio volte ao seio da Capital do Oeste…

Eder Boaro é instrutor Master Mind e colunista político

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