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CHOCANTE: Daiane dos Santos revela que sofreu racismo, preconceito, segregação na seleção brasileira

Muito mais importante do que detalhar o fraco futebol da Seleção Brasileira de Futebol Olímpica, que apenas empatou com a Costa do Marfim, em 0 a 0, no Japão, quem merece espaço hoje é Daiane dos Santos.

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A melhor ginasta brasileira de todos os tempo. Dona de nove medalhas de ouro em Mundiais. Com direito a dois movimentos que criou e levam seu nome na ginástica: o duplo twist carpado, ou Dos Santos I, e a evolução deste primeiro: o duplo twist esticado, ou Dos Santos II.

A gaúcha de 38 anos hoje dá aulas de ginástica olímpica para crianças carentes na favela de Paraisópolis, com cerca de cem mil pessoas.

A gaúcha sorridente que consagrou sua performance no solo ao som de Brasileirinho, sofreu muito durante a carreira. Não só para manter os 39 quilos, cujas articulações sustentavam aterrisagens até de 150 quilos. Mas por ser negra.

Por anos e anos, ela competiu, esteve nas manchetes de portais, jornais. Dando entrevistas para televisões. Mas não revelava todo o preconceito que sofreu.

“Acho que não existe uma pessoa preta que não tenha sofrido racismo na vida. O que acontece é que muitas pessoas não entendem o que estão passando, não sabem diagnosticar. No meu caso, sempre foi tudo muito sutil: um olhar diferente, um tratamento diferente. Uma levantada de voz”, disse em depoimento corajoso, visceral à revista Marie Claire.

“Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queriam usar o mesmo banheiro!

“Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação.

“Banheiros para brancos e banheiros para pessoas de cor.

“Teve muito isso dentro da seleção.

“E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde. Ou seja: ela é tudo o que a gente não queria aqui.

“Quando a gente vê uma pessoa preta em um lugar, ela representa todas as pessoas pretas. Mostra que é um lugar possível. E ainda mais em esportes que não são os que as pessoas estão acostumadas a ver uma pele escura.

“E a repercussão foi mundial, porque eu não fui a primeira negra brasileira, fui a primeira ginasta negra do mundo a ganhar uma medalha de ouro.

“Se fala sobre preconceito racial na semana da Consciência Negra, no mês de novembro, que a gente tem um dia.

“Desculpa, eu não sou negra um dia, eu sou negra todos os dias.”

Esse foi a trajetória da maior ginasta da história deste país. Segregada. Do R7

 

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