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CASO BOATE KISS: Quarto dia tem debate sobre fogos e relato de sobreviventes

O quarto dia do julgamento do caso da boate Kiss começou com um depoimento sobre o uso de fogos em lugares fechados e se encerrou com falas comoventes de duas vítimas da tragédia, que deixou 242 mortos e mais de 600 feridos em janeiro de 2013, em Santa Maria.

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O primeiro a depor no tribunal do júri, neste sábado (4), foi Alexandre Marques, empresário e produtor de eventos, que falou na condição de testemunha de Elissandro Spohr, sócio da casa noturna. Depois, Maike dos Santos e Cristiane dos Santos falaram com o juiz Orlando Faccini Neto e relataram traumas enfrentados após o incêndio.

Embora mais calmo do que o dia anterior, marcado por brigas entre a defesa de um dos réus e o juiz, o sábado também foi marcado pedidos de interrupções feitos aos juiz. Os advogados de defesa dos réus, o Ministério Público e os assistentes de acusação pediram a palavra diversas vezes e gritavam “pela ordem” a cada momento que queriam contrapor o oponente. Até que, em determinado momento, Faccini Neto criticou a postura das partes, dizendo que o comportamento seria uma tentativa de antecipar a fase de debates.

No domingo (5), o júri está previsto para começar às 10h. De acordo com o juiz, serão ouvidos Thiago Mutti, testemunha de defesa do réu Mauro Hoffmann, e Delvani Brondani Rosso, vítima da assistência de acusação.

Uso de artefatos pirotécnicos

Além de empresário e organizador de eventos, Marques era produtor da banda Multiplay, que fazia shows na boate Kiss. Durante o depoimento, ele explicou como era sua atuação em estabelecimentos noturnos.

Tudo que é externo na banda era eu que fazia na época”, explica. “Por estar acostumado a utilizar [artefatos pirotécnicos], olho para ver se é uma altura segura para poder funcionar. O ideal de um pé direito bom para ser usado um Sputnik é de 3,5 a 4 metros. O artefato tem de estar no chão”, completa.

O produtor contou que, embora tenha parado de frequentar casas noturnas, de forma geral, elas continuam a funcionar sem segurança. Momentos depois, a bancada de Jean Severo, advogado de Luciano Bonilha, auxiliar da banda que segurou o artefato, interrogou Marques sobre os produtos Sputnik e velas colocadas em bebidas.

“Uma pessoa sem conhecimento e sem experiência leva o que tem na loja”, diz o produtor sobre os artefatos.

A promotora do MP, Lúcia Callegari, criticou a testemunha de defesa e disse que Marques passou a mensagem errada para a sociedade. “Não podemos ter fogos em estabelecimentos fechados”, disse ela aos jornalistas no intervalo do tribunal do júri. “Estava trazendo provas e elementos que estavam perturbando e incomodando porque eu estava mostrando um contraponto bem importante ao que foi trazido pela defesa: a questão de que os fogos, mesmo aqueles teoricamente de uso interno, teriam problemas”, disse.

“Deixei muito claro que a testemunha acredita que deve se continuar a utilizar fogos. Tudo que estamos tentando fazer aqui ele não acredita. Nove anos depois, ele não acredita que essa tragédia poderia ter sido evitada. Fico muito triste que a testemunha não acredite. Nós não podemos ter fogos em estabelecimentos fechados”, afirmou aos jornalistas.

Voz aos sobreviventes

O segundo depoimento do tribunal do júri do caso da boate Kiss deste sábado (4) sensibilizou familiares de vítimas e sobreviventes da tragédia da casa noturna, em Santa Maria (RS), que estavam na plateia do plenário do Foro Central I de Porto Alegre. Enquanto o jovem contava que o julgamento era o primeiro momento em nove anos que ele se sentida ouvido, de fato, outras vítimas se emocionaram.

“Foi a primeira vez que nos deram uma voz ativa de poder estar aqui contando. Contavam pela gente ou nos culpavam pela situação”, disse Maike Ariel dos Santos, 29 anos, ao juiz Orlando Faccini Neto. A fala do sobrevivente emocionou Kellen Ferreira, desenhista industrial e segunda vítima ouvida em plenário.

Maike relata que, na noite do dia 27 de janeiro de 2013, foi ao aniversário de uma amiga na boate Kiss. “Não era meu estilo musical, mas eu fui por ela”, diz. Após ter conseguido deixar a casa noturna, o jovem disse ter ficado em coma por uma semana. “Chegou um momento que falaram para a minha mãe que não tinha mais o que fazer pelo seu filho.” O sobrevivente também criticou o que chamou de vitimização dos “réus”. Do R7 Porto Alegre

 

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