Campos Novos recebe o 1º Seminário Regional sobre Síndrome de Down

Seminário lotou as dependências do Club Aqua Camponovense - FOTO Solon Soares/Agência AL

Na agenda para 2030 os países signatários da ONU assumiram o compromisso de viabilizar os recursos necessários para promover a integração social das pessoas com deficiência. Com base nessa meta, a Assembleia Legislativa, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, promove nesta segunda e terça-feira (19 e 20), em Campos Novos, o 1º Seminário Regional sobre Síndrome de Down – Inclusão: Ninguém Fica para Trás.

Cerca de 600 profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social se inscreveram para o evento, realizado no Club Aqua Camponovense e conta com o apoio de entidades como a Federação Catarinense das Associações de Síndrome de Down (Fecasd), Apae e AMA de Campos Novos.

Entre as atividades previstas, palestras e debates em torno de temas como os aspectos clínicos e diagnóstico da Síndrome de Down e autismo; os principais desafios enfrentados pelos professor regente e mediador; e técnicas de terapia e reabilitação.

“O papel do seminário é justamente esse, trazer luz, trazer conhecimento, informação para as pessoas que trabalham na área da inclusão social das pessoas com deficiência e a partir daí melhorar a qualidade de vida de todos esses cidadãos”, disse na ocasião o vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deputado José Milton Scheffer (PP).

Um dos focos do encontro, que também será realizado em Araranguá  e Chapecó, nos dias 11 e 25 de outubro, respectivamente, é ainda o de fomentar a criação de novas associações voltadas às pessoas com deficiência.

Tais entidades são tidas hoje como fundamentais para a defesa dos direitos desta camada da população, que somente em relação à Síndrome de Down é estimada em 10 mil pessoas no estado, conforme destacou o vice-presidente da Fecasd, Marcos Costa. “Hoje nós temos nove associações regulamentadas, isto é, com CNPJ, estatuto aprovado e legalmente constituídas, mas existem muitos movimentos que acabaram nascendo com o avanço das tecnologias, como grupos de WhatsApp, que trocam informações, fomentam e defendem o direito das pessoas regionalmente.”

O médico neuropediatra Egon Frantz, que ministrou palestra no seminário, observou que as associações também cumprem relevante papel no tratamento e reabilitação das pessoas com necessidades especiais. “Tão logo a síndrome  seja identificada numa criança, seus pais devem procurar centros de atendimento especializado, às vezes em clínicas particulares, mas hoje o melhor local para atendimento para elas, sem dúvida nenhuma, são Apaes ou associações que já se criaram para este atendimento.”

Centro de equoterapia

Em meio ao seminário, o deputado Romildo Titon (MDB) observou que em Campos Novos está sendo construído um dos maiores centros de equoterapia do estado, por iniciativa da AMA local.

A estrutura, de 1.200 m², deve ter a suas obras iniciadas em setembro e, quando pronta, contará com capacidade para realizar cerca de 400 atendimentos ao mês, abrangendo pacientes de Campos Novos e de 12 outros municípios da região.

A previsão é que a obra seja finalizada em um ano, tendo em vista que os R$ 754 mil necessários já foram garantidos por meio de repasses advindos de deduções do Imposto de Renda. Também por doação foram obtidos os primeiros cinco cavalos para dar início aos trabalhos.

“Trata-se de um projeto bastante vultuoso em termos de recurso, mas a sociedade tem participado muito porque é um trabalho que agrega muito a estas pessoas e que certamente vai ficar como referência para outras regiões do estado”, disse Titon.

Diretora da AMA de Campos Novos, Vera Ottonelli Durli não tem dúvidas quanto aos benefícios proporcionados pela utilização de cavalos no tratamento de pessoas com deficiência. “A Equoterapia é uma reabilitação muito importante, pois além de prazerosa, traz ganhos em curto prazo para a criança. Tanto que já está reconhecida em lei federal e é autorizada nos planos de saúde.”

Alteração genética
A síndrome de Down é uma alteração genética ligada ao excesso de material cromossômico que ocorre, em média, em 1 a cada 800 nascimentos. É a primeira síndrome a ser descrita na espécie humana, a mais frequente e a de maior incidência. Ela decorre de um acidente genético, aumentando a incidência com o avanço da idade materna. No Brasil, de acordo com as estimativas do IBGE realizadas no censo 2000, existem 300 mil pessoas com Síndrome de Down.

O tipo mais comum da síndrome, que ocorre em cerca de 95% dos casos, é a trissomia livre. Mas também há a translocação e o mosaicismo. Diferentemente dos 23 pares de cromossomos que constituem, na maioria das vezes, o genótipo do ser humano, no caso da síndrome de Down há um material cromossômico excedente ligado ao par de número 21. Por isso, também é conhecida como trissomia do 21. A trissomia livre ocorre quando a constituição genética dos indivíduos é caracterizada pela presença de um cromossomo 21 extra em todas as suas células. (Alexandre Back/Agência AL).

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