ARTIGO – Transição para dias melhores

FOTO: Sicom

Marcos Antonio Barbieri,
Presidente do Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom)

O ano de 2018 foi de grandes desafios e de transformações representativas. No âmbito sindical, apresentaram-se os efeitos da Reforma Trabalhista, que gerou dúvidas quanto à condução e a sobrevivência de muitas entidades, pela redução da receita ocasionada com o fim da contribuição sindical. Foi um indicativo claro para quem não possui representatividade e atuação forte e levou muitos sindicatos a se reinventar e reposicionar perante os associados, m mediante atuação contundente e de efetividade.

Nesse aspecto, o Sindicato do Comércio da Região de Chapecó saiu-se muito bem, pelo volume e nível das atividades desenvolvidas. Isso foi reflexo do trabalho realizado pela diretoria, por seu quadro de colaboradores e também ocorreu graças à receptividade dos associados do Sicom.

Já no âmbito econômico, 2018 representou um ano de leve recuperação, mas que ainda ficou longe do desejado. Tivemos oscilações cambiais fortes, o aumento desenfreado nos preços dos combustíveis e que gerou uma greve de caminhoneiros sem precedentes na história. Enfrentamos problemas sanitários no agronegócio, com a Operação Carne Fraca e suas consequências, como férias coletivas em frigoríficos, o cancelamento de exportações e danos à imagem do setor.

Houve, ainda, turbulência política constante, com prisões, inclusive de um ex-presidente da República. Também tivemos a Copa do Mundo de Futebol, uma campanha eleitoral marcada pela polarização de direita e esquerda, prefeituras e outros governos com extrema dificuldade para fechar as contas, o setor de saúde precário e a saída de profissionais do programa Mais Médicos. Além disso, a violência permaneceu em alta e a infraestrutura, no geral, continuou deteriorada, especialmente nas rodovias em geral, estaduais e federais. Enfim, pode-se dizer que chegamos ao fim do ano “exaustos”, mas com a sensação de que dias melhores virão neste 2019, diante da confiança do setor econômico e da grande maioria da população quanto aos novos governantes, no Executivo e no Legislativo, em Brasília e nos Estados.

Entendemos que há medidas fundamentais que precisam ser adotadas rapidamente pelo governo de Jair Bolsonaro, até para atender a expectativa que foi aberta com sua eleição. Entre elas estão a reforma da Previdência Social e o ajuste tributário, que é inadiável, pois os índices que penalizam o setor produtivo e o cidadão mostram-se exorbitantes. É preciso, ainda, o enxugamento de gastos públicos, através da melhoria da gestão, tanto em Brasília como nos Estados, sem nos esquecermos de que muitos municípios também precisam adotar medidas nesse sentido, bem como é necessário promover o pacto com Estados e municípios, renegociando as dívidas com juros e prazos mais plausíveis de pagamento e que gerem condições de investimento.

Especificamente quanto ao que se pode esperar da economia neste ano, todos os índices mostram uma esfera positiva. Acreditamos que o Produto Interno Bruto, o PIB, fique de 2,5% para cima. Da mesma forma, espera-se a efetiva melhora nos índices de emprego e do consumo e que se amplie a liberação de crédito para investimentos. Diretamente para os segmentos do comércio e de serviços, a perspectiva também é de firme expansão.