Blogs e Colunas

ARTIGO: Da Política – Fundos demais

A decisão do Congresso Nacional, tomada na semana passada, de elevar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, mais (mal) conhecido como Fundo Eleitoral, de R$ 2 bilhões neste ano para R$ 5,7 bilhões em 2022, conseguiu mostrar uma situação rara: a unanimidade contra, dos mais variados segmentos, desde a classe empresarial até alguns partidos políticos.

Clique aqui e receba notícias de Chapecó e Região, do Brasil e do mundo pelo WhatsApp

Ainda bem que no último fim de semana o presidente Jair Bolsonaro manifestou sua desconformidade, vamos dizer assim. Para ele, a decisão, embutida de última hora na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022, representa uma “casca de banana”. Além disso, afirmou de sua intenção de “dar bom final a isso aí”. Ou seja, o presidente da República pode vetar a infeliz elevação.

Menos mal, até se levarmos em conta que ainda existe o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o denominado Fundo Partidário, que neste ano tem orçamento de R$ 979,4 milhões. Ou seja, somados esses dois fundos (ou poços sem fundo) drenam neste ano para os partidos políticos a bagatela de quase R$ 3 bilhões. Sem esquecermos de que, nos últimos anos, ocorreram denúncias quanto ao uso dos recursos na compra de votos, candidaturas-laranja, pagamento de empréstimos e outras irregularidades apontadas em casos como hospedagens, locação de veículos, passagens aéreas, aluguel e até compra de imóveis.

Considerando-se que no ano passado as 33 legendas registradas na Justiça Eleitoral receberam R$ 934 milhões do Fundo Partidário (míseros 45 milhões a menos do que o previsto para 2021), pode-se prever que em 2022 esse valor possa ultrapassar um bilhão. Assim, é de se estimar que, juntos, esses dois fundos poderão (ou poderiam, conforme decidir o presidente da República), escoar para os partidos a mixaria de mais de sete bilhões de reais no próximo ano. Coisa pouca para um país com verba pública sobrando e que não tem outras necessidades a serem supridas, nem na saúde, nem na educação, nem na segurança, nem na infraestrutura. Sobra, inclusive falta de bom senso para muitos deputados federais e senadores.

Etiquetas

Artigos relacionados

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.

Verifique também

Fechar
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios