Adequação do Parto: humanização, acolhimento e segurança

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A gestação é um período ímpar na vida da mulher. Além de todas mudanças físicas, envolve sonhos, expectativas e medos de toda a família. Experiências passadas da própria gestante e de todos que a cercam, histórias conhecidas e mesmo noticiadas na mídia sobre o parto e todo o processo que o envolve ganham um peso diferente nessa fase. Para desfazer crenças e aumentar a segurança e o acolhimento dessas famílias, um acompanhamento pré-natal adequado é importante, não só para avaliação da saúde da mãe e do bebê, mas para a discussão de temas ligados à gestação e ao parto.

Participar de ações educativas e discussões sobre os tipos de parto, suas vantagens e desvantagens são imprescindíveis para a desmistificação do momento do parto e o reposicionamento da gestante como protagonista da gestação e do nascimento conforme afirma a médica ginecologista e obstetra e cooperada da Unimed Chapecó, Dra. Patrícia Pereira de Oliveira.  Segundo ela, e nesse movimento de empoderamento feminino que surge e ganha força o movimento do parto humanizado.

Dra. Patrícia Pereira de Oliveira (FOTO: Unimed Chapecó)

“O parto humanizado não deve ser entendido como um tipo de parto, e sim como um conjunto de orientações para readequação do atendimento ao parto vaginal com objetivo de reduzir intervenções desnecessárias e aumentar o bem-estar da mãe, sem aumentar os riscos”, ressalta. No Brasil, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), recentemente, se posicionou a favor da adequação na assistência obstétrica no país de modo a estimular o parto vaginal com acolhimento e segurança. “Desta forma, defende-se não só uma mudança no modelo de ação, mas também que todo esse acompanhamento e cuidado seja feito no âmbito hospitalar”, complementa a médica.

Mesmo em países onde a realização do parto domiciliar era defendida e bem estruturada, com amparo de equipes bem treinadas e deslocamento rápido para hospital garantido, diferentemente do Brasil, estudos recentes sugerem que há maior risco no parto realizado no domicílio. Isso porque mesmo os partos aparentemente de baixo risco podem apresentar intercorrências súbitas nas quais minutos são cruciais para o início de intervenções que preservem a vida da mãe e do bebê.

De acordo com Dra. Patrícia, essas evidências sugerem que haja risco duas vezes maior de morte neonatal (do bebê ao nascimento) e três vezes maior de complicações como convulsões e danos neurológicos no parto domiciliar comparado ao hospitalar.

Segundo a cooperada, ainda é importante ressaltar que muitas medidas intervencionistas que não devem ser feitas de rotina, como uso de ocitocina, realização de episiotomia e uso de fórceps podem ser medidas importantes para impedir complicações graves durante o parto em algumas ocasiões. “A decisão de usá-las ou não depende do obstetra e geralmente só podem ser tomadas no transcorrer do parto, sendo impossível prever. Logo, não devem ser estimuladas, mas quando utilizadas de forma correta podem salvar vidas”, conclui.

Hospital Unimed Chapecó

Além da importância de um pré-natal com acompanhamento de profissionais, é fundamental escolher um hospital com estrutura adequada para realização do parto. Desde 2016, o Hospital Unimed Chapecó conta com um quarto específico para partos naturais. A estrutura possui ambiente tranquilo e diferenciado com banho de imersão para analgesia em banheira de relaxamento, bolas de pilates, além de equipe capacitada para melhor atender as gestantes durante todo o procedimento.

O diferencial está no modelo humanizado de atendimento, que garante acompanhamento familiar durante o processo do parto. A sala oferece o suporte necessário para a realização de partos assistidos, com a diferença de que é uma estrutura única, localizada em anexo ao Centro Obstétrico, UTI Neonatal e Berçário.

No parto humanizado, alguns pontos importantes são defendidos:

  • Estimular a presença de acompanhante escolhido pela paciente durante o trabalho de parto
  • Orientar alimentação leve e sem resíduos
  • Permitir que a gestante escolha a sua melhor posição para parir
  • Permitir que a gestante se mova livremente durante o trabalho de parto
  • Proibir realização de rotina de enema (lavagem intestinal), tricotomia (retirada dos pelos) e manobra de Kristeller (pressão no fundo do útero no momento do nascimento)
  • Estimular medidas não-medicamentosas para alívio da dor, como banho de chuveiro ou banheira, acupuntura, florais e massagem
  • Reservar a utilização de episiotomia (corte na vulva) e fórceps apenas para casos selecionados e de risco, bem como uso de ocitocina e de outros medicamentos.