Abecedário ajuda a detectar o daltonismo em crianças

Elas podem ser quentes ou frias, primárias, secundárias, e estão em uma extensa paleta de opções. Mas você já imaginou um mundo sem cores? Essa é a realidade de 5% da população mundial. O daltonismo, ou discromatopsia congênita, é um distúrbio visual caracterizado pela incapacidade de distinguir todas ou algumas cores. Devido a fatores genéticos ligados ao cromosoma X, as mulheres têm muito menos probabilidade de serem daltônicas do que os homens. Mas, de qualquer forma, é sempre importante detectar o distúrbio o quanto antes.

O Teste de Ishihara, um exame de percepção de cores criado em 1917, é uma das principais ferramentas utilizadas para identificar a condição por meio do uso de imagens com números e cores. Após mais de um século de uso da técnica, foram apresentados muitos avanços tecnológicos, como a existência de óculos especiais que permitem aos daltônicos enxergarem um mundo colorido. Mesmo assim, o ideal é identificar a presença do distúrbio o quanto antes, preferencialmente durante a infância. Pensando em facilitar a vida dos pais e educadores nesse processo, foi criado o “ABC para Daltônicos”, uma versão repaginada do Teste de Ishihara.

Mais atraente para as crianças, o “ABC para Daltônicos” conta com novas imagens mais divertidas associadas ao alfabeto. Para facilitar a utilização, foi incorporado ao teste de impressão de uma impressora (Canon Mega Tank) que pais e professores podem ter em casa ou na escola. O resultado final possibilitou a criação de um livro abecedário com 26 letras. Além de ajudar a identificar o daltonismo, cada página testa a impressão. Já está disponível em aplicativo para smartphones, bastando imprimir com um clique no celular.

De acordo com Maristela Stoianov, Especialista em Visão de Cores, na maioria das vezes, a pessoa passa por toda a infância e adolescência sem saber que tem daltonismo, descobrindo apenas na idade adulta. “O diagnóstico precoce ajuda muito na inclusão da criança na escola, em casa etc. As pessoas afetadas pelo daltonismo são capazes de criar um mecanismo de adaptação como qualquer outra que tem uma deficiência. Geralmente, os daltônicos são surpreendentes”, esclarece.

Para Tânia Abe, responsável pelo Marketing de Consumo da Canon do Brasil, “Vimos uma oportunidade de ajudar a reconhecer essa dificuldade das crianças de uma maneira lúdica e que os pais pudessem imprimir em casa. São trabalhos como esse que inspiram o nosso dia a dia aqui na Canon.”

É o caso do grafiteiro Marcio Reis, que descobriu que tinha o distúrbio visual na escola. “Estava numa aula de biologia e o professor mostrou aquele teste de daltonismo. Ele perguntou ‘que número vocês veem aqui?’, a classe respondeu ‘sete’. Eu não via número nenhum…”, conta. Nessa época, ele sentiu na pele o preconceito dos colegas e a pressão em casa. “As crianças faziam bullying comigo por não saber que cor era ou por ter pintado algum desenho com a cor errada. Em casa eu também era muito reprimido. Mas é porque eles não entendiam o que era. Nem eu”.

Mesmo vivendo com uma condição que altera a visão das cores, Marcio foi atrás dos seus sonhos e se tornou grafiteiro. “Eu faço grafitti há 20 anos e a minha história sempre foi de superação. Acho que usei a deficiência como inspiração. Aí tudo mudou”, diz.

“A partir do momento em que a criança descobre que ela é daltônica, ela pode criar estratégias para não precisar mudar quem ela é”, explica Maristela.

O “ABC para Daltônicos” foi idealizado pela agência Dentsu Brasil para a impressora Canon Mega Tank. “Unimos a criatividade com uma iniciativa social. O daltonismo não tem cura, mas, identificando o problema desde cedo, é possível iniciar as adaptações em casa e na escola para que a criança leve uma vida normal. Se a criança tiver dificuldade para visualizar algum dos desenhos é só procurar por um oftalmologista para receberem o melhor direcionamento”, explica Filipe Cuvero, VP de Criação da Dentsu Brasil.

Mais sobre o daltonismo

O daltonismo é um distúrbio visual caracterizado pela incapacidade de distinguir todas ou algumas cores. De origem genética, a doença é mais comum em indivíduos no sexo masculino. No Brasil, o problema afeta mais de oito milhões de pessoas, sendo que os meninos correspondem a 8% desse total. No mundo, 5% da população é daltônica, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

Quando há a suspeita de que a criança está com problemas para distinguir certas imagens ou cores básicas, deve-se consultar um oftalmologista para ser realizado um diagnóstico concreto e as possíveis causas. É importante a realização de exames oftalmológicos antes de começar a escola.

Formas de daltonismo:

  1. Tricromatas – Podem ter dificuldade para enxergar o verde e suas nuances. Em casos mais raros, o vermelho e o azul, sendo o último mais raro. Daltônicos tricromatas têm dificuldade para diferenciar tonalidades de uma mesma cor e cores próximas.
  2. Dicromatas – São daltônicos que confundem duas cores primárias. Eles misturam o verde e o vermelho (e vice-versa). Em casos mais raros confundem azul com as outras cores básicas.
  3. Acromatas – São os mais incomuns. Enxergam apenas preto, branco e tons de cinza. Incide em um entre cada 300 mil pessoas.